Crianças e sua relação com a Televisão

 

Os movimentos corporais das crianças encontram-se “engessados” frente ao cenário virtual. Uma das formas que prende a atenção das crianças e muitas vezes com o incentivo dos pais são as “babás eletrônicas educativas”, a televisão. As crianças e principalmente as menores, de 2 a 5 anos ficam vivendo a realidade dos personagens, falam como eles. Até o português é dito de forma correta para a idade, não há “desvio” na língua. Diante de tal cenário, alguns pais ficam orgulhos de seus filhos, mostram aos seus amigos e familiares como as crianças falam corretamente, porém essas crianças ao serem convocadas para falarem sobre outras questões que não sobre esse universo da televisão, pouco dizem ao serem questionadas.O assunto é rígido, contam as aventuras dos personagens favoritos e nada mais, não escutam o que lhe é perguntado. Evidenciando que algo não foi estabelecido, houve uma falha, no tange a formação subjetiva.

Diante de tal cenário o que pode ser feito para que as crianças possam interagir mais; criar, brincar, se movimentarem.. Evidentemente que respeitando a evolução dos tempos e da tecnologia, as brincadeiras do passado poderiam somar com as do cenário atual. As “velhas” brincadeiras despertavam a criatividade ensinavam produzir seus brinquedos. O andar em cima de latas tinha um sabor diferente, porque eram as próprias crianças que confeccionavam tais brinquedos. Jogar amarelinha, brincar de esconde-esconde, de mamãe e filhinha, jogar vôlei, futebol, brincar de polícia e ladrão assumiam uma conotação que fazia a diferença na interação social e subjetiva.

Tais brincadeiras traduzem a sutileza da produção e autoria que tais brincadeiras produziam na constituição psíquica dos sujeitos em formação. Os corpos “engessados” na frente da televisão não as possibilitam representar, simbolizar e muito menos criar, pois elas vivenciam aquilo que está sendo transmitido pela “babá educativa”, criando falas robotizadas, pois  há pouca produção nessas falas.

Os pais e os profissionais da saúde precisam estar mais atentos as sutilezas em que os sintomas aparecem na infância, pois o excesso de televisão na  vida das crianças podem causar marcas como dificuldade na aprendizagem, dificuldade em interagir com as pessoas. Freud já dizia quem brinca trabalha e consegue trocas no social, pois formou sua subjetividade. Nesta fase é preciso ter muito cuidado com as crianças para que cresçam saudáveis psiquicamente.

 

por Maria Luiza Leal Pacheco

 

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BRASIL, Sul, SANTA MARIA, Mulher, de 26 a 35 anos